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domingo, 12 de junho de 2016

 

Telhados de Lisboa


Batidos de sol da tarde,
Brilham telhados vermelhos,
Salpicam, sem grande alarde,
A colina, de mil espelhos.
.
São faces ao céu erguidas,
Flores de um jardim-cidade,
Telhados, marcos de vidas,
Seres eternos, sem idade.
.
Róseos, ténues, pardacentos,
No claro-escuro da serra,
Surgem às dúzias, aos centos,
Altares nascidos da terra.
.
Seu luzir a prece soa,
Silente, forte louvor,
Que as gentes de Lisboa,
Dedicam ao Criador.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014



O voar das aves
Sob as copas dos pinheiros -
Elegante bailado.



Ilona Bastos

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

domingo, 19 de maio de 2013


Amigo


Tens de conhecer o meu amigo.
 O seu sorriso é como um raio de sol da manhã
que me aquece o coração e ilumina o espírito.

Diz  olá com os olhos a brilhar, quando me vê. 
E pergunta: Então como estás, meu amigo?

Se estou alegre, ri-se e o mundo à nossa volta torna-se azul.
Sinto-me pássaro, voando em bando, planando livre
pela praia e sobre o mar.

Se estou triste,  fala com carinho.
O seu olhar inteligente afasta as nuvens negras.
Os problemas e a dor tornam-se vagos e distantes.
E damos connosco a caminhar sem medo 
por uma planície verde e tranquila.

O meu amigo irradia luz e bondade 
e o som das suas palavras enche-me de alegria.

Queria tanto ser, também, um amigo assim!


 Ilona Bastos





"Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença, sem se sentir melhor e mais feliz."

Madre Teresa de Calcutá

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

foto Ilona Bastos


LISBOA EM AGUARELA


Passeio-me pela cidade em aguarela.
Tão leves, as copas, de finas ramagens
E as manchas ténues das nuvens brancas
Em aguado desvanecer do céu azul claro.

E o verde, onde está, em doces pigmentos,
Delicados, suspensos na transparência do ar.

E as ruas orladas de belos desenhos,
Minuciosas calçadas, floridos canteiros,
De mansos contornos ao sol da manhã.

Candeeiros altos, esguios, alinhados,
Alcandorados balcões e ferros forjados,
O traço elegante dos vultos passantes,
E o sorriso encarnado das sardinheiras,
A espreitar das soleiras, varandas e vasos.  

Passeio-me por Lisboa em aguarela.
Sou imagem efémera, sem cor nem idade,
Pincelada ligeira, um esboço na tela,
Transparência fugaz perpassando a cidade.

Ilona Bastos

domingo, 9 de setembro de 2012


UM SONHO 

Um comboio
Que se afasta,
Outro que chega,
E se aproxima.
Olhos, sonhos,
Sonhos, gente,
Gente nova,
Atrevida,
Gente velha,
Divertida,
Colorida,
Colorida,
Colorida...

Há conversas
E apitos,
E fumaça pelo ar,
Um caminhar,
Um soluçar,
Ritmado,
Fomentado,
Aliviado,
Em redor,
De um comboio
Que se afasta,
Doutro que chega,
E se aproxima.
Olhos, sonhos,
Sonhos, gente,
Colorida,
Colorida,
Colorida...

Ilona Bastos


segunda-feira, 13 de agosto de 2012



A PRAIA


Voam pipa, disco,  bola,
Espuma branca, onda do mar.
Rente à areia macia,
Passa a gaivota, a planar.

Um papagaio descola,
Pula o menino, a brincar.
Ao vento, em doce carícia,
 Vela de barco a vogar.

Ilona Bastos

segunda-feira, 16 de abril de 2012



 TEJO

Lindo, largo, ledo Tejo,
pelo estuário avanças, magnífico!

Não desces, lânguido e mortiço
arroio que à foz se escoa vindo morrer...

Impetuoso invades, com vigor e sal,
em ondas que as margens tocam, vencedoras.

De luz, golfinhos e aventuras brindas,
profundo, áureo, valoroso, forte,
Lisboa, nívea princesa, cidade amada.
  
És guardião fiel de garças, andorinhas,
alfaiates, cegonhas e suas crias.
Das aves, carinhoso poiso e recanto amigo.

Em planícies verdes, tal lençol macio,
que suave desliza, refulgindo ao sol,
terras alimentas -- fonte de riqueza.

Mas é aqui que mais te sinto nosso,
neste oceânico ondular azul,
luzindo à claridade branca da manhã,

Nesta incessante agitação 
que os cacilheiros cruzam, empenhados,
corajosos lutadores contra a corrente,

Neste marulhar audaz que nos inspira, 
nos nomes dos Combatentes recordados,
no Mosteiro, no Bugio, em S. Lourenço,
Neste ritmado afagar das pedras lioz
do Baluarte do Restelo celebrado
e das finas areias de Belém,

Neste cenário que se abre, majestoso,
povoado de gaivotas a planar,
em altos voos a bradar, nos céus,

Saudando a nobre gente lusitana
e seus feitos de ontem, de hoje e de amanhã, 
na descoberta dos novos mundos do Mundo!

Ilona Bastos

terça-feira, 20 de março de 2012


Chegada da Primavera

Assisto, inebriada, ao milagre da chegada da Primavera.
O céu é do mais profundo azul. O sol brilha acolhedoramente. A temperatura e a placidez, no jardim, são de uma afabilidade enternecedora. O barulho da água, a precipitar-se em luminosas cascatas, emociona-me.
Verdadeiramente, a Primavera chegou, e mesmo os ramos das árvores, até ontem despidos, se encheram subitamente de folhas verdes ou castanhas avermelhadas, consoante a sua natureza.
Os pombos, aos pares, namoram. Os pardais saltitam e voam alegremente.
Toda a fauna e flora exultam. E até em mim identifico aquele despertar surpreendente que me faz brilhar os olhos e preenche a alma de uma esperança tão verde, tão alegre, tão leve, tão azul como esta Primavera festiva que me visita.


Ilona Bastos

sábado, 17 de março de 2012



ESPERANÇA NA POESIA

O verso torneado renegava,
Que o sentia oco, sem sentido,
O afastava em gesto incontido,
Sabor a fel que ao gosto me amargava.

Uma ansiedade crua me agitava
Distante do langor da Poesia,
E se um soneto acaso me surgia,
Nem para vê-lo, lê-lo, eu parava.

Na vida só sentia sofrimento,
Dureza de uma dor que não tem fim.
Cansada do torpor que via em mim,
Orava por livrar-me do tormento.

Partira a luz que então me dera alento.
Sombria, mais não era, fenecera.
E a alegria, que eu bem conhecera,
Longe a perdia, colhida pelo vento!

Será que o sol da jovem Primavera
Me acorda para a vida novamente?
Que a cor, o odor me tomam de repente,
Desenham lá no céu nova quimera?

Sorri o meu olhar, só de esperança
Do reencontro meu com a Poesia.
Que possa eu sentir essa harmonia,
Agora traços vagos na lembrança.

Que venha. Eu a espero, enternecida.
Que entre. A desejo, veemente.
Que fique, e a minha alma alimente,
Desperte a felicidade adormecida!

Ilona Bastos

sábado, 2 de julho de 2011




ANDO POR LÁ!


Ando por lá!
Pela procura, pelo quase tocar da essência,
pelas ideias, pelos segredos, pelos medos,
pelos caminhos, pelos indícios, pela aparência!

Ando por lá!
Pela solidão acompanhada,
pela tristeza acarinhada,
pela revelação ansiada!

Ando por lá!
Tão próximo, em voo quase rasante,
em busca sempre incessante,
em dúvida galopante…

Ando, ando indubitavelmente por lá!


Ilona Bastos

segunda-feira, 13 de junho de 2011


Deixemos Falar os Nossos Corações


Nada do que eu digo 
É apenas isso -
É sempre muito mais. 

Tu recebes as palavras,
Misturas o tom e a cor
Dos teus pensamentos,
Referências de outros sons,
De outras imagens e momentos,
Do passado e do futuro
Que sonhas, sentimentos, 
Felicidade e sofrimento.

Por isso, o que eu digo
Não é o que tu ouves.

E te proponho:
Silenciemos. Deixemos
Falar os nossos corações.


Ilona Bastos


..

quinta-feira, 9 de junho de 2011


CAMPO DE OURIQUE
Nos passos de Fernando Pessoa


O bairro está alegre, não sei porquê.
Talvez seja da chuva, que parou.
Ou dos raios de sol, coados pelas nuvens,
inundando a manhã de uma luminosidade bela,
que desce pelos telhados, infiltra-se na folhagem
e desliza para a calçada,
onde desenha bordados brilhantes,
trabalhados na sombra.

Noto nos transeuntes um semblante animado.
Apercebo-me mesmo do seu andar saltitante,
tão pouco habitual neste bairro antigo.
Tantas e tantas vezes tenho percorrido estas ruas,
observando o cansaço nos rostos com que me cruzo!
Ou será ilusão minha, influenciada que vou
pelas histórias tristes que acabei de ouvir
e pelos conselhos difíceis que tive de dar?

Mas hoje não, não há cansaço, nem rostos sofridos –
o bairro está alegre. E não sei porquê.
É certo que a manhã me sorriu,
que me não couberam dramas, nem tragédias,
que as respostas as tive na ponta da língua
e que as notícias as pude dar animadoras!

Intrigada, pergunto-me se Fernando Pessoa,
que por estas mesmas calçadas andou,
que também aqui morou ao longo de quinze anos,
notou estes desvarios do pacato bairro
que num belo dia de Setembro resolve descobrir-se alegre,
vestir-se de luz dourada, pincelar os edifícios de magia
e brindar os seus habitantes com a graça da Felicidade.

Quando Pessoa dizia “Vou num carro eléctrico,
e estou reparando lentamente, conforme é meu costume,
em todos os pormenores das pessoas que vão adiante de mim”,
estaria a referir-se igualmente a estas mudanças bizarras,
a estas revelações inauditas, inesperadas,
em caminhos tão conhecidos, tão familiares
que suporíamos não poderem apresentar para nós
quaisquer segredos ou mistérios?

Repito os passos de Fernando Pessoa.
Dirijo-me ao Jardim da Parada.

Hoje, até a estátua da Maria da Fonte, por entre as flores,
parece ter perdido a sua rigidez de pedra
e adquirido movimento nos cabelos soltos,
flexibilidade nos gestos de mulher do povo
que reivindica a liberdade.
Acena, risonha, às crianças nos baloiços,
à senhora idosa de bela cabeleira branca,
que empurra o carrinho do neto,
à fonte, em êxtase, que lança diamantes em redor.

Que alegria desgovernada percorre o bairro!
Até me custa deixá-lo, sem saber o que fará
quando lhe virar as costas.
Explodirá em festivos destemperos?
Mas o estômago, insistente, requisita almoço urgente,
e já abandono o jardim, passo a rua das sardinheiras,
dobro à esquerda e avanço, desaguo na Maria Pia,
ainda a tempo de ver, voltando a cabeça rapidamente,
as cascatas de luz que descem pelo casario
e inundam o vale de Alcântara.


Ilona Bastos

quinta-feira, 31 de março de 2011


ELES

Soam cornetas, clarins,
Tambores rufam, tresloucados,
E ufanos, emproados,
Eis os actores que se agitam.
Vozes gritam, retumbantes,
Perorando, sapientes,
Sábios doutores, reis das gentes,
Que o saber ao mundo ditam.
Mil glórias, vaidosos, clamam,
De rastos, modestos, coram,
De improviso abrilhantam
Discursos que a si encantam
E  à socapa decoram.
Sabem rir quando é preciso,
E chorar na ocasião.
Suaves, doces, emotivos,
Rudes ou persuasivos,
Negam ao povo o seu pão.

Ilona Bastos

Serei injusta? Mas ao observá-los, ontem,  na A.R. - os seus gritos, risos, esgares - recordei-me deste escrito antigo, com quase 30 anos. Tudo muda - nada muda...

quinta-feira, 24 de março de 2011



SEMENTE DE PRIMAVERA


Onde se esconde, em mim,
Esta semente que germina
Ao chegar da Primavera?

Será no coração pesaroso
Que o Inverno deixa mouco,
Mas com a Primavera remoça
E canta, e esperto reconhece
Em redor, o amor,
A vida, a felicidade?

Será no cérebro cansado,
Que o Inverno torna vago,
Mas que a Primavera espevita,
Encanta, afaga, e inspira,
De ideias fervilhante,
Cintilante, criador?

Será no olhar embaciado,
Que de cores se enche, louco?
No olfacto, inebriado
pelo aroma das flores?
Nos ouvidos doloridos,
Que na música se perdem?

Ou na pele
Que, brilhante, resplandece?
Ou na língua,
Que em paladares mil se deleita?

Onde, onde se esconde
Esta semente que agora floresce
E me inunda de Primavera?


Ilona Bastos

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


NEVOEIRO


Lembrando uma paisagem escandinava
Desenham-se, além dos vidros da janela,
Os traços suaves dos ramos de pinheiro,
Esbatidas manchas de quadro em aguarela,
Por entre o esbranquiçado frio do nevoeiro.

Também, mais próxima, desmaiada, a relva
Se distancia, neutra, na densa neblina,
E o fundo baço, que esconde o arvoredo,
Envolve o céu e a vida, em leve musselina.

Só um vulto, esbelto, vem descendo, ledo,
A longa escadaria, que o nevoeiro adoça,
E uma gaivota livre, de asas prateadas,
Planando baixo, os seus cabelos roça.

Agora, vejo as nuvens, rasas e molhadas,
Correrem, junto à erva, em desfilada,
Afugentando o véu, os seres, a quieta paz
Desta atmosfera idílica, encantada.

Soprando velozmente, vem o vento e faz,
Agreste, forte, intenso, espantar a magia
Do nevoeiro imenso, prenhe de mistério,
Que a manhã cobriu, neste invernoso dia.

Então, no céu, o azul retoma o seu império,
O sol inunda a relva, a rua, todo o parque,
Regressam vozes, passos, gente radiosa,
Da vida, a cor, o brilho, a infinita arte...

E, na transparência pura, gloriosa,
Desta pintura bela, perfeita em limpidez,
Na Natureza rica, na vívida Criação,
Esboça-se, com espantosa nitidez -
A imagem de Deus - sublime Revelação!


Ilona Bastos

domingo, 28 de novembro de 2010

O POEMA QUE SE SEGUE

  
Não há que temer a Poesia,
Nem estas ideias bizarras
Que em certas horas me assaltam.

Vivo e raciocino por tentativas,
Aproximações e intuições.

Pensamentos fugazes,
Velozes, acutilantes,
Perpassam-me a mente,
De rompante, e logo
Seguem seus caminhos.

Lanço-me atrás deles, correndo,
Alcanço-os, por vezes, detenho-os,
Interrogo-os, fotografo-os, de frente,
De perfil, de um lado e do outro,
Curiosa, inquisitiva, sem sorrir.

Anoto, atenta, o que revelam,
Alvitro, sugiro, proponho,
Componho o texto e exponho-o
Neste caderno invulgar.

Largo-as, depois, às ideias,
Que dispersam livremente.

E o que sinto é ser tão leve,
Neste alívio imparável de criar,
Que levanto, brilhante, o meu olhar
Na procura do poema que se segue.

Ilona Bastos

quinta-feira, 11 de novembro de 2010


Como Soa o Poema

Não soa o poema ao criador.
Irrompe do fundo de nenhures,
Pensamento luminoso, súbito
Na brancura do papel a derramar.

Não soa em alta voz a poesia.
Pois é ideia ágil, forte e clara,
É passo vivo ou mesmo galopante,
Que o braço move e leva pelo ar.

Não soa como som, já que é mais luz,
Corrente descendente até à mão,
Vaivém audaz do lápis no papel
Furor intenso e débil a criar.

Não soa como o fazem as tiradas,
Libertas na conversa ou no canto.
Não soa como corpo, pois é alma
Das letras e palavras faz seu pranto.

Ilona Bastos