quarta-feira, 29 de outubro de 2008


Ravissante...
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O JARDIM
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Ontem escrevi poemas
Nos canteiros do meu jardim.
Animada, afogueada, em alvoroço,
Abraçada a vasos, folhas e pétalas,
Inspirada ao aspirar o aroma silvestre
Das flores, das plantas, da seiva,
Declinei o lápis sedutor e o papel,
Tomei a terra, o ancinho e a colher,
Decidida, quebrei ressequidas ramagens,
Exaltada, daninhas ervas arranquei,
Ao solo me lancei, confiante, e mergulhei
Minhas mãos, na terra fértil e gentil.
Tirei pedras e raízes, desenhei linhas
De promissores bolbos, enterrados
Sob o húmus revolvido e alisado.
Sementes lancei, em métrica cuidada.
Azáleas rimei com admiráveis ciclamens.
Margaridas de fogosas vestes combinei
Com amarelos narcisos em sono recatado.
Confortei o cândido limoeiro e ergui, por fim,
Para o céu, o corpo cansado e feliz,
As faces coradas, o cabelo em desalinho,
Acompanhando a aragem e o sol alaranjado –
Chave de ouro de outonal entardecer –
No caminho luminoso do Poente.
,
,
Il
Ilona Bastos
Lisboa, 28 de Setembro de 2004

domingo, 26 de outubro de 2008


E se eu largasse o meu olhar?

E se o deixasse percorrer o mar imenso,
Lançar-se, livre, no céu infinito,
Cavalgar pela planície, até ao horizonte?

E se o meu olhar tudo abarcasse
(A humanidade, a fauna, a flora!)
E nele guardasse toda a criação?

E se o meu olhar fosse microscópico
E distinguisse o grão, a gota, a bactéria?

E se o meu olhar fosse macroscópico,
E nele coubessem todas as estrelas e as galáxias?

E se visse o invisível, e, para si, as ondas,
Os aromas e os sons mostrassem cores
E formas dos outros desconhecidas?

E se eu seguisse o meu olhar, e com ele...

Nadasse os oceanos, tal um golfinho,
Voasse pelo azul, como gaivota,
Ganhasse velocidade sobre a pradaria?
(Cavalo selvagem, outrora detido, agora liberto…)

E se tudo soubesse do que via
E a razão de tudo se revelasse?

E se atingisse a molécula, o átomo, o quark,
A mais ínfima partícula, e entendesse
Afinal, do que é construído o Universo?

E se o meu olhar e eu fossemos o mais longe
que é possível ir, e regressássemos
o mais depressa que é possível vir, para contar?

Que encontraríamos e saberíamos,
Que contaríamos, eu e o meu olhar?

Ilona Bastos
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Wild Horses (Ennio Morricone For a few dollars more)
Vídeo by LonelyMoonRise

quarta-feira, 22 de outubro de 2008



Luís Sepúlveda

" Vi-o rumar em direcção ao Nishin Maru e, quando chegou lá, os tripulantes começaram a atirar-lhe lixo para cima, latas e desperdícios, que o Pedro lhes devolvia sem conseguir atingi-los. Depois começaram a fustigá-lo com um jorro de água. Os japoneses riam enquanto o inundavam, e o Pedro concentrava-se em manter o escaler a flutuar.
"Eu não sabia, não era capaz de imaginar o que é que ele pretendia ao manter-se colado ao Nishin Maru, enquanto os tripulantes até lhe urinavam para cima, e o que depois aconteceu vai o senhor ver amanhã, mas seria estúpido não lho contar agora.
"A um dado momento, quando mais duas mangueiras se tinham juntado à brincadeira e o Pedro já quase não conseguia manter-se a flutuar, emergiu junto ao escaler o dorso de uma baleia calderón, que, com todo o cuidado, empurrou o Pedro e a sua embarcação até os afastar do navio. Então, obedecendo a uma chamada que nenhum outro humano ouviu no mar, um chamamento tão agudo que estremecia os tímpanos, trinta, cinquenta, cem, uma multidão de baleias e de golfinhos nadaram velozmente até quase tocarem a costa, para regressarem com maior velocidade ainda e chocarem as cabeças contra o barco.
"Sem lhes importar o facto de que em cada ataque muitos morriam de cabeças rebentadas, os cetáceos repetiram os ataques até que o Nishi Maru, empurrado contra a costa, correu o risco de encalhar. Levaram-no para muito perto dos recifes e havia pânico a bordo."
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Luís Sepúlveda, Mundo do Fim do Mundo


Os Balanços do Vendaval

Desfazem-se as árvores
No vendaval.
Folhas, galhos e ramos
Rebolam pela rua
Em abandono.

Trémulas, as folhas
Vibram desgovernadas,
E à nova rajada se debatem,
Agitam e voam.

As flores tilintam
As corolas coloridas,
Despenteadas, desfolhadas,
Desprotegidas.

Os humanos vultos inclinam-se,
Às roupas e ao corpo abraçados,
Cabelos em labareda,
Contra o vento.

E avança, plúmbeo, sobre a terra
O imenso manto das nuvens.

Ah! As minhas flores!
As que plantei com tamanha devoção!
Aguentarão os balanços do vendaval?


Ilona Bastos
Lisboa, 8 de Outubro de 2004

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

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O homem que plantava árvores
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The Man Who Planted Trees 4/4

1/4 - http://www.youtube.com/watch?v=kSlN_4ZGE38

2/4 - http://www.youtube.com/watch?v=ZW-HhmLXJTM

3/4 - http://www.youtube.com/watch?v=roUIBeQb6cs

Energyium


Olhares

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Tudo se resume a um olhar sobre o mundo e ao desvendar das maravilhas que encerra.
Já em criança o fazia: colhia flores, apanhava pedrinhas, folhas, conchinhas, e trazia-as para casa.
Acabavam, depois, por secar entre as folhas de um livro, perder-se ou ir parar ao cesto dos papéis, essas jóias tão acarinhadas.
Agora não! Encontrei um cofre, que é este blog. Aqui coloco as folhas e as flores que trouxe da rua. Aqui os guardo, expondo-os aos olhos do mundo, os vídeos que me comoveram, as músicas que me deliciaram, os excertos de livros que se me tornaram inesquecíveis.
Eis, portanto, as minhas jóias - o meu cofre!


Encanta-me, claro, a folha amarelecida presa na orelha do cocker spaniel que me olha, inocente, sério, tão embrenhado no seu papel de cão felpudo e focinhudo, de longas orelhas e pêlo dourado!
O seu olhar… e o seu olhar… tão ponderado e prudente.

O que era aquele olhar?
Era o de um ser inelutavelmente destruído?
Ou de alguém, ainda há pouco despertado de um pesadelo,
que se concilia lentamente com a vida?
Perguntou-me: “É para nós?”
Acenei que sim e estendi os braços.
Deu a volta ao balcão e recebeu os sacos.
Vigiei-lhe o olhar, que pareceu tornar-se mais vivo e brilhante. Agradeceu.
Não sei que lhe disse então (sempre vigilante ao seu olhar).
O que era aquele olhar?
Seria o de alguém em luta contra os seres destruidores de almas?
Seria o de quem, em segredo, pactua ainda com demónios,
perpetuando-lhes o apetite devorador?
“Seja como for”, pensei, “Sempre ajudei alguém.”
Mas o segredo daquele olhar perseguiu-me pela manhã.
As suas palavras, os seus gestos, o meneio de cabeça ao responder, o estender dos braços, tudo se tornou irrelevante na minha memória,
tudo reconduzido àquele olhar...
(Terei receado ver, naquele, um outro olhar?)

Penso, agora, naquele olhar, com esperança.
Talvez o céu, esfusiantemente azul,
ou o sol, que insiste em brilhar e aquecer,
lhe tragam o ânimo para vencer.
Quem sabe a fé incendeie aquele olhar...
Quem sabe?


Que dizer, que fazer, que pensar, do teu olhar brilhante, transbordante de riso?

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Ilona Bastos

sábado, 18 de outubro de 2008



Platão

"Por causa disso - continuei -, as pessoas de bem não querem governar nem pelas riquezas nem pela honra, porque não querem ser tratadas de mercenários, exigindo abertamente o salário da sua função, nem de ladrões, tirando dessa função lucros secretos; também não trabalham pela honra: é que não são ambiciosos. Portanto, é preciso que haja obrigação e castigo para que aceitem governar - é por isso que tomar o poder de livre vontade, sem que a necessidade a isso obrigue, pode ser considerada vergonha - e o maior castigo consiste em ser governado por alguém ainda pior do que nós, quando não queremos ser nós a governar; com este medo me parecem agir, quando governam, as pessoas honradas e então vão para o poder não como para um bem, para o gozarem, mas como para uma tarefa necessária, que não podem confiar a melhores que elas nem a iguais. Se aparecesse uma cidade de homens bons, é provável que nela se lutasse para escapar ao poder, como agora se luta para o obter, e tornar-se-ia evidente que o governante autêntico não é feito, na realidade, para procurar a sua própria vantagem, mas a do governado; de modo que todo o homem sensato preferiria ser obrigado por outro do que preocupar-se em obrigar outros."

Platão, A República, Publicações Europa-América

A CHUVA


Este som, leve e metálico,
Da chuva que bate nos vidros,
Acaba por ser gentil…
Mesmo quando o seu toque se acelera,
Ou se retarda em singulares gotas,
Ou quando o vento sopra, em sonantes rajadas,
Ou, sonolento, se esparsa, quase se apaga,
Na inércia cinza da paisagem.

É fresca, esta chuva!
Como a ouço, talvez brejeira,
Não indelicada…
Deixou exultantes as flores vermelhas
Daquela exótica planta do jardim fronteiro,
De que não conheço o nome nem o apelido.
Garota, foge ao ritmo agora, insistente,
Esparrinha o tecto da marquise, desafiante…

As nuvens escuras avançam com rapidez!

Sente-se a chuva protegida, e precipita-se
Com violência implícita,
Tão distante da delicadeza inicial.
Rufia, já não soa a música,
Como anunciara à chegada,
Agreste, não poupa os tons, as linhas,
Os traços, as cores, os vultos
Desta cidade, que se afunda no temporal…


Ilona Bastos
Lisboa, 20 de Maio de 2007

sexta-feira, 17 de outubro de 2008


Se escrever for simplesmente desenhar palavras belas sobre o papel, então, tudo bem, posso fazê-lo. Com dicionário e tudo, para que nenhum vocábulo, dos mais etéreos, alusivos, sugestivos, me escape.
Mas escrever é mais do que deixarmo-nos levar pelo som das palavras. É nelas encontrar e fixar um sentido belo, uma ideia inteligente.
Por isso, tanto necessito do silêncio - terra fértil -, e da música - boa semente -, para que as ideias germinem e cresçam, floresçam.
Olhando o empedrado do carreiro que atravessa o jardim, sobre ele caminhando, hoje pensava que não me falta o ânimo, o impulso inicial. Do que necessito é de perseverança!
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O Romancista

Parou, subitamente, e ponderou, por momentos, que talvez nunca conseguisse escrever o romance. Faltavam-lhe, porventura, a paciência, a aplicação e a perseverança necessárias!
Nunca esta ideia lhe ocorrera anteriormente. Na verdade, começara por julgar que o problema residia na cadeira, onde não lhe era possível sentar-se, a escrever, por mais de cinco minutos.
Tal convicção levara-o, em certa ocasião, a acalmar-se e observar o assento com extremo cuidado. Analisara-lhe a estrutura, a matéria prima, o design. Apalpara conscienciosamente a almofada que o cobria, no que fora apanhado em flagrante pela empregada, como sempre sorrateira a percorrer as divisões da casa em passinhos silenciosos.
Ilibada a cadeira, voltara o olhar acusador para a desarrumação que cobria a secretária, para os montes de livros e papeis, em caos, que o cercavam. Como queriam que escrevesse no meio daquela confusão?! Nem conseguia ouvir os próprios pensamentos, cercado de tanta retórica, tanto ensaio, tanta lei, tanto apontamento desgarrado! Aquela escrita gritante afugentara até uma ideia fabulosa que lhe surgira no dia anterior, após o café.
Convencera-se, durante algum tempo, de que tomando uma chávena suficientemente grande de café suficientemente forte conseguiria escrever um romance magnífico, essa obra-prima de suspense e emoção de que falava aos amigos havia anos - o aguardado best seller que em tudo suplantaria as historietas banais, tão em voga, que a televisão e os jornais não se cansavam de elogiar.
Evidentemente, o seu romance teria um alcance absolutamente fora de série: à semelhança dos clássicos, narraria uma história universal, susceptível de tocar todos os homens e mulheres, independentemente da nacionalidade, raça ou credo; original, jamais se apagaria da memória de quem o lesse; intenso, inteligente e subtil, prenderia a atenção do leitor desde as primeiras até às últimas palavras; profundo e filosófico, traçaria uma nova concepção do mundo; épico, inspiraria feitos grandiosos; complexo, porém, linear, reuniria o aplauso unânime dos intelectuais; enfim, valer-lhe-ia o Nobel...
Nunca tivera dúvidas da sua elevada capacidade e do seu talento excepcional. E com o café, então, as ideias que lhe atravessavam o cérebro tornavam-se verdadeiramente geniais! Só havia o problema de se dissiparem com tanta rapidez. Ao ponto de não conseguir passá-las ao papel. Quando chegava a garatujar algumas palavras e as relia, constatava, estarrecido, que nelas não encontrava sequer uma sombra da ideia magnífica que lhes dera origem. E então, enervado, atirava com a caneta, amarfanhava o papel, levantava-se da cadeira, deambulando, desesperado, pelo escritório. Daí, naturalmente, que a primeira suspeita tivesse recaído sobre a cadeira... não é verdade? Mas, pensando bem... não seria, antes, uma deficiência da caneta? Como não se lembrara disso? Sempre suspeitara do aparo, um tudo nada grosso em demasia, de uma maciez excessiva, que lhe tornava a letra grande, infantil, pouco profunda... e o gesto da escrita extremamente lento. Com certeza, encontrava-se aí o motivo por que, após tantos anos de tentativas infrutíferas, não conseguira ainda iniciar o seu romance!
Entusiasmado com esta hipótese, que revelava um sem número de novas perspectivas, decidiu explorar-lhe as potencialidades: abriu a segunda gaveta da secretária e de lá retirou, em transportes sucessivos, dezenas de canetas e esferográficas, que largou sobre o tampo, em euforia. Passou, depois, a experimentá-las, uma a uma, metódicamente, desenhando elipses contínuas que percorriam o papel da esquerda para a direita, do topo para a base. E assim preencheu folhas e folhas do seu bloco especial, durante a tarde toda, indiferente à presença da empregada, que o espreitava, encostada à porta, silenciosa, atenta, respeitosa, orgulhosa do seu patrão, o romancista.
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Lisboa, 10 de Março de 2006
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Mendelssohn (concerto para violino - parte 1)

El concierto para violin de Mendelssohn (primeros 5 minutos) . Interpretado por I.Perlman y Yo-Yo Ma
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V
acilo entre o casaco preto e a gabardina branca.
No céu nublado, de tecto baixo, procuro a resposta. Choverá? Um violino ágil, alegre, esperto, ousado, diz-me que a água, se vier, será saltitante, miúda, atrevida. Que venha, que salpique a calçada, escorra pelas folhas das árvores, orvalhe os rostos sorridentes dos transeuntes.
A crer na conversa do violino, a tarde será alegre e molhada, a temperatura, amena e agradável, e o tempo, de amor e felicidade.
Bendito violino mensageiro, que belas mensagens me trazes de Mendelssohn… (concerto para violino em mi menor?)
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Ilona Bastos

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Esta combinação da música - magistralmente composta e excelentemente tocada - com a beleza (perdoavelmente colorida) e o humor, da Orquestra Johann Strauss, dirigida por André Rieu, é algo de absolutamente inebriante.
Evoco a memória dos bailes vienenses animados pelos próprios Strauss e os seus violinos. Chamo até mim a magia da Música, tal como a vejo, agora, no seu arquétipo fundamental – fonte de inesgotável beleza, bem-estar e felicidade.
Nestas apresentações de André Rieu, da sua orquestra e convidados, descontraímos, sentimo-nos rejuvenescer, rimo-nos de puro prazer, dançamos, sentados, ao som das mais maravilhosas composições, deixamos a nossa mente libertar-se das preocupações do dia-a-dia e simplesmente fluir, como flui a água do rio em pleno Verão, com a energia feliz, simultaneamente calma e contagiante, de quem desliza pelo seu leito, sem remorsos, sem medos, antes imbuído da inocente vontade de se expandir, cantar, viver!
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Ilona Bastos

André Rieu at Schönbrunn - The Third Man


André Rieu and the Johann Strauss Orchestra performing at Schönbrunn Palace, Vienna in july 2006. The music is by Anton Karas and features Frédéric Jenniges on zither.

terça-feira, 14 de outubro de 2008



Carlo M Cipolla

"(...) se uma piada humorística não é entendida como tal por parte do interlocutor, é praticamente inútil, senão mesmo contraproducente, procurar explicá-la.
"O humorismo é claramente a capacidade inteligente e subtil de revelar e representar o aspecto cómico da realidade, mas é também muito mais do que isso. Antes de mais, como escreveram Devoto e Oli, o humorismo não deve implicar uma posição hostil, mas sim uma profunda e muitas vezes indulgente simpatia humana. Além disso, o humorismo implica a percepção instintiva do momento e do lugar em que pode ser usado. Fazer humor sobre a precariedade da vida humana à cabeceira de um moribundo não é humorismo. Por outro lado, merecia certamente que a sua cabeça tivesse sido poupada aquele cavalheiro francês que, tendo tropeçado num dos degraus ao subir a guilhotina, se dirigiu aos guardas e disse:
"Dizem que tropeçar dá azar.""
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Carlo M Cipolla, Allegro ma non troppo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008


É preciso que os pensamentos voem pelo meu cérebro, para que tente capturá-los, registá-los como numa película fotográfica, e depois reproduzi-los, escrevendo, sobre o papel.
Mas a escrita será então como um desenho à vista (titubeante, indeciso, ansioso, cheio de boa vontade, contudo, imperfeito).
Como lograr reproduzir o voo magnífico da gaivota? Algum retrato, por melhor que seja, atinge a monumentalidade das suas asas abertas, brancas, brilhantes ao sol da tarde, planando sobre o mar, volteando sobre a terra, numa tridimensionalidade palpável que nos arrebata?
Pois bem, também me sinto incapaz de verbalizar esses vislumbres do conhecimento, da verdade, que por vezes me ocorrem, mas logo se evolam, deixando-me deslumbrada, mas incompleta.
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Ilona Bastos
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Ravel's Bolero by the orchestra directed by Andre Rieu. Video by consejomunicipal