John Milton, Areopagítica, Livros que Mudaram o Mundo, Público
domingo, 25 de julho de 2010
John Milton
" Pois a verdade é que os livros não são coisas absolutamente mortas, encerrando em si uma vida em potência que os torna tão activos quanto o espírito que os produziu. Mais ainda, os livros conservam, como num frasco, o mais puro extracto e eficácia do intelecto vivo que os gerou. Sei que estão tão vivos e tão vigorosamente produtivos como os dentes daquele dragão da fábula e que, disseminados aqui e ali, podem fazer surgir homens armados. Mas isto significa também que, se não se usar de cautela, matar um bom livro é quase o mesmo que matar uma pessoa. Quem mata um homem mata uma criatura racional feita à imagem de Deus; mas quem destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus, como se esta estivesse nos olhos. Muitos homens são um peso para este mundo; um bom livro, porém, é a seiva preciosa de um espírito superior, embalsamado e deliberadamente preservado para uma existência que ultrapassa a vida."
John Milton, Areopagítica, Livros que Mudaram o Mundo, Público
John Milton, Areopagítica, Livros que Mudaram o Mundo, Público
domingo, 18 de julho de 2010
Fim-de-Semana
Fim-de-semana é oásis
Palmeira verde e lagoa.
Namoro terno em Paris
Champagne, comida boa.
É sopro de brisa amena
Carícia de ar na alma,
É onda do mar que acena
Afago que o corpo acalma.
É sono, sonho, poesia
Livro, filme, exposição,
É dança, arte, magia
Música, canto, canção.
É rosa em nosso jardim
Mergulho na natureza,
Junto à família, festim
E, com os amigos, beleza!
Fim-de-semana é de mel,
Doçura leve, alegria!
Segunda-feira é de fel,
Acabou-se a fantasia...
Ilona Bastos
Fim-de-semana é oásis
Palmeira verde e lagoa.
Namoro terno em Paris
Champagne, comida boa.
É sopro de brisa amena
Carícia de ar na alma,
É onda do mar que acena
Afago que o corpo acalma.
É sono, sonho, poesia
Livro, filme, exposição,
É dança, arte, magia
Música, canto, canção.
É rosa em nosso jardim
Mergulho na natureza,
Junto à família, festim
E, com os amigos, beleza!
Fim-de-semana é de mel,
Doçura leve, alegria!
Segunda-feira é de fel,
Acabou-se a fantasia...
Ilona Bastos
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sábado, 17 de julho de 2010
João Paulo II
"Não será que após a queda do muro visível, se tenha descoberto outro muro, desta vez invisível, que continua a dividir o nosso continente: o muro que passa pelo coração dos homens? É um muro feito de medo e de agressividade, de falta de compreensão pelos homens de origem diversa, de cor de pele diferente, de distintas convicções religiosas; é o muro do egoísmo político e económico, do enfraquecimento da sensibilidade em relação ao valor da vida humana e à dignidade de cada homem. Nem mesmo os incontestáveis êxitos do último período, no campo económico, político e social escondem a existência de tal muro. A sua sombra estende-se sobre toda a Europa. A meta de uma autêntica unidade do continente europeu ainda está longe. Não haverá unidade na Europa, enquanto esta não se fundar na unidade do Espírito."
João Paulo II, discurso em Gniezno, Polónia, a 3 de Junho de 1997
"Não será que após a queda do muro visível, se tenha descoberto outro muro, desta vez invisível, que continua a dividir o nosso continente: o muro que passa pelo coração dos homens? É um muro feito de medo e de agressividade, de falta de compreensão pelos homens de origem diversa, de cor de pele diferente, de distintas convicções religiosas; é o muro do egoísmo político e económico, do enfraquecimento da sensibilidade em relação ao valor da vida humana e à dignidade de cada homem. Nem mesmo os incontestáveis êxitos do último período, no campo económico, político e social escondem a existência de tal muro. A sua sombra estende-se sobre toda a Europa. A meta de uma autêntica unidade do continente europeu ainda está longe. Não haverá unidade na Europa, enquanto esta não se fundar na unidade do Espírito."
João Paulo II, discurso em Gniezno, Polónia, a 3 de Junho de 1997
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João Paulo II
E Vós, O Que Pensais Sobre Isto?
Caminhando pela rua,
Há momentos em que me apetece parar,
Quedar, estática, na beira do passeio,
Simplesmente sentir a brisa no rosto,
Escutar o som dos automóveis velozes,
E dos aviões que se atravessam na paisagem,
Aspirar o odor das flores primaveris
Que se desprende dos jardins vizinhos.
Nestes momentos, apetece-me parar...
E vós, o que pensais sobre isto?
Vivendo a vida,
Há alturas em que me apetece meditar,
Cessar toda a acção rotineira,
Afundar-me num oásis de calma,
Em livros profundos, escritos por sábios,
Procurar a resolução deste mistério que é a vida,
Reflectir sobre o sentido da existência,
Formar ideias simples mas fundamentais,
Sentir o mundo como parte de mim..
Nessas alturas apetece-me meditar...
E vós, o que pensais sobre isto?
Ilona Bastos
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domingo, 11 de julho de 2010
Robert Benchley
"Durante a época de Natal e Ano Novo andou de boca em boca, pelos escritórios e salas de visita, o desagradável boato de que eu tinha sido preso. Gostaria de deixar claro desde já que fui eu próprio que lancei esse boato. Não só o lancei como gastei bastante dinheiro para o manter vivo, recorrendo a mexeriqueiros pagos, para que os meus amigos percebessem por que motivo não lhes enviava presentes ou bilhetes-postais com lembranças minhas. De um homem preso numa cadeia não poderiam esperar que lhes enviasse qualquer coisa, não é verdade?"
Robert Benchley, Wit, Ensaios Humorísticos, Tinta da China edições.
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Robert Benchley,
Tinta da China edições,
Wit
sábado, 3 de julho de 2010

O Sono e o Brilho
Brilham a água e as bolhas transparentes.
Por mim, tenho sono. Não tomei café...
Ou será da leitura, que sinto aborrecida?
Ou antes do sol, que bate nas letras pretas
deste livrito bege e me torna o olhar parado,
pasmado, à beira do precipício do sonho?
Não importa. A água brilha e encandeia.
O ruído surdo de conversas distantes, e próximas,
e do avião que surge, gigantesco passarão,
na paisagem paradisíaca do Campo Grande,
alimentam a sonolência da ocasião.
Brilha a água, e as bolhas transparentes (também elas),
como mísseis electrónicos,
disparam cadenciadamente do fundo do copo
até atingirem a superfície.
Assim também as ideias me surjam,
cometas fugazes de trajectória brilhante,
no afundar doce, hipnótico, incoerente, do abismo do sono.
Não tomei café...
Ilona Bastos
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sábado, 22 de maio de 2010
Quando saí, ouvi da casa vizinha palavras de admoestação suave:
"Hoje estás muito rabino, gato!"
Também eu, antes de fechar a porta da rua, me voltara para trás, recomendando:
"Porta-te bem, cãozinho! Ficas a tomar conta da casa..."
Agora, deslizando sobre o alcatrão, passo pela montra de uma loja, diante da qual um senhor de cabelo branco se interessa pelos artigos expostos. Ao seu colo, tão atento quanto o dono, um pequeno rafeiro de pêlo dourado estende o focinho delicado para o vidro.
Não consigo deixar de virar a cabeça, para acompanhar por mais tempo aquela cena graciosa. E parece-me curioso o facto de tratamos os nossos animais como se fossem crianças.
Sorrindo enquanto me fala do seu gato, a senhora jovem acaba por fazer adormecer a voz numa pausa triste: "A minha cadela morreu, sabia?"
Consternada, mal sei como consola-la, e acabo por murmurar apenas: "É difícil..."
"Sim, é difícil", concorda. "Um cão é como um familiar nosso. E um familiar muito chegado."
"Hoje estás muito rabino, gato!"
Também eu, antes de fechar a porta da rua, me voltara para trás, recomendando:
"Porta-te bem, cãozinho! Ficas a tomar conta da casa..."
Agora, deslizando sobre o alcatrão, passo pela montra de uma loja, diante da qual um senhor de cabelo branco se interessa pelos artigos expostos. Ao seu colo, tão atento quanto o dono, um pequeno rafeiro de pêlo dourado estende o focinho delicado para o vidro.
Não consigo deixar de virar a cabeça, para acompanhar por mais tempo aquela cena graciosa. E parece-me curioso o facto de tratamos os nossos animais como se fossem crianças.
Sorrindo enquanto me fala do seu gato, a senhora jovem acaba por fazer adormecer a voz numa pausa triste: "A minha cadela morreu, sabia?"
Consternada, mal sei como consola-la, e acabo por murmurar apenas: "É difícil..."
"Sim, é difícil", concorda. "Um cão é como um familiar nosso. E um familiar muito chegado."
Ilona Bastos
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Foto e texto de Ilona Bastos
terça-feira, 30 de março de 2010
ECOS
Mesmo que aos ouvidos
me não cheguem,
os ecos existem, eu sei.
Largados no espaço, talvez.
Aos meus anseios, eu sinto,
uma voz responde,
inaudível mas forte,
ao longe criada, difundida
pelos confins do Universo.
Mas como encontrá-la,
se aos meus ouvidos não soa,
ao meu olhar não aporta,
em meus dedos não se aninha
essa voz, eco de vida e amor?
Só, à margem dos sentidos,
cabe ao coração se abrir
às ondas vogando, voláteis
carícias do Criador!
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Ilona Bastos
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Bach,
Vídeo e texto de Ilona Bastos
segunda-feira, 22 de março de 2010

Tadeusz Turakiewicz.
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"Que padre que ele foi! Não houve outro como ele! O que viam nele de extraordinário aquelas pessoas simples? O que tinha de especial? Oração, humildade e pobreza. Levantava-se de manhã, caminhava lentamente pela vereda rumo a Wiatrowice ou andava com um livro à volta da igreja, a rezar. E a pobreza? Quando fazia visitas pastorais às casas dos fiéis, entregava aos pobres o que recebia dos ricos. Voltava à casa paroquial de mãos a abanar. Visitava constantemente os pobres. Havia uma mulher a quem chamavam Tadeuszka, que era de Kleczany. Uma vez, foi ter com ele para se queixar, porque tinha sido roubada. E ele deu-lhe tudo o que tinha. Inclusive a almofada e a roupa de cama. As pessoas até ficaram zangadas: tinham acabado de comprar tudo aquilo para ele, porque dormia numa cama sem nada... E humildade? sabia falar com qualquer um, apesar de já ter terminado o curso em Roma."
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Tadeusz Turakiewicz, Recordações de João Paulo II, Compilação e redacção de Janusz Poniewierski, Concepção e colaboração de Jan Turnau, Lucerna
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Tadeusz Turakiewicz, Recordações de João Paulo II, Compilação e redacção de Janusz Poniewierski, Concepção e colaboração de Jan Turnau, Lucerna
domingo, 7 de março de 2010
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foto e poema de Ilona Bastos,
haicai
sábado, 27 de fevereiro de 2010

Voltaire
"Cândido e Cacambo subiram para a carruagem. Os seis carneiros voaram e em menos de quatro horas chegaram ao palácio do rei, situado no extremo da capital. O portal tinha duzentos e vinte pés de altura e cem de largo. É impossível exprimir de que era feito e compreende-se facilmente que prodigiosa superioridade devia ostentar sobre essas pedras e essa areia que denominamos entre nós ouro e pedras preciosas.
"Vinte lindas raparigas da guarda receberam Cândido e Cacambo ao descerem da carruagem e conduziram-nos aos banhos, vestindo-lhes depois trajes tecidos com as mais macias penas de colibris. Após essa cerimónia, os homens e as mulheres, grandes oficiais da Coroa, guiaram-nos aos aposentos de Sua Majestade, entre duas alas de músicos com mil artistas cada segundo o uso comum. Quando se aproximaram da sala do trono, Cacambo perguntou a um oficial como devia fazer para saudar sua Majestade, se era preciso pôr-se de joelhos, se de ventre no chão; se poriam as mãos na cabeça, ou no traseiro; se lambiam a poeira da sala; enfim, qual seria o protocolo.
"- O costume - disse o grande oficial - consiste em abraçar o rei e beijá-lo nas duas faces.
"Cândido e Cacambo saltaram ao pescoço do rei, que os recebeu com a graça mais inimaginável e os convidou cerimoniosamente para cear.
"Enquanto esperavam pela ceia mostraram-lhes a cidade, os edifícios públicos erguidos até às nuvens, os bazares ornados de mil colunas, as fontes de água pura, as fontes de água de rosas, as de licores de cana-de-açúcar que corriam continuamente nas grandes praças pavimentadas com uma espécie de pedras preciosas que derramavam um odor semelhante ao goivo ou à canela. Cândido pediu para visitar o palácio da justiça e o parlamento, mas disseram-lhe que isso não existia, porque ninguém questionava. Perguntou se haveria prisões e disseram-lhe que não. O que mais o surpreendeu e maior prazer lhe causou foi o palácio das ciências, no qual viu uma galeria, longa de dois mil passos, repleta de instrumentos de matemática e física.
"Após terem percorrido, durante toda a tarde, apenas a milésima parte da cidade, conduziram-nos de novo ao palácio real."
Voltaire, Cândido, Lisboa, Guimarães Editores.
"Vinte lindas raparigas da guarda receberam Cândido e Cacambo ao descerem da carruagem e conduziram-nos aos banhos, vestindo-lhes depois trajes tecidos com as mais macias penas de colibris. Após essa cerimónia, os homens e as mulheres, grandes oficiais da Coroa, guiaram-nos aos aposentos de Sua Majestade, entre duas alas de músicos com mil artistas cada segundo o uso comum. Quando se aproximaram da sala do trono, Cacambo perguntou a um oficial como devia fazer para saudar sua Majestade, se era preciso pôr-se de joelhos, se de ventre no chão; se poriam as mãos na cabeça, ou no traseiro; se lambiam a poeira da sala; enfim, qual seria o protocolo.
"- O costume - disse o grande oficial - consiste em abraçar o rei e beijá-lo nas duas faces.
"Cândido e Cacambo saltaram ao pescoço do rei, que os recebeu com a graça mais inimaginável e os convidou cerimoniosamente para cear.
"Enquanto esperavam pela ceia mostraram-lhes a cidade, os edifícios públicos erguidos até às nuvens, os bazares ornados de mil colunas, as fontes de água pura, as fontes de água de rosas, as de licores de cana-de-açúcar que corriam continuamente nas grandes praças pavimentadas com uma espécie de pedras preciosas que derramavam um odor semelhante ao goivo ou à canela. Cândido pediu para visitar o palácio da justiça e o parlamento, mas disseram-lhe que isso não existia, porque ninguém questionava. Perguntou se haveria prisões e disseram-lhe que não. O que mais o surpreendeu e maior prazer lhe causou foi o palácio das ciências, no qual viu uma galeria, longa de dois mil passos, repleta de instrumentos de matemática e física.
"Após terem percorrido, durante toda a tarde, apenas a milésima parte da cidade, conduziram-nos de novo ao palácio real."
Voltaire, Cândido, Lisboa, Guimarães Editores.
Desejando a Primavera!
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