domingo, 22 de janeiro de 2012

VIDA

Eterno é o amor que criou a vida
no seio do Universo infinito!

Contida num mínimo ponto primordial,
florida em explosão colossal,
na expansão perpétua se difunde
por milhões de galáxias,
inquieta se abriga neste berço,
turbilhão de nuvens etéreas e nuances,
vastidão de oceanos azuis, ondulantes,
que refrescam e da terra se apartam.

Na água, desenvolve a semente,
simples que é, complexa se torna,
em várias formas que às margens sobem
e evoluem, montes e vales cobrindo,
os céus decorando de asas belas,
no solo vicejando em paixão gloriosa,
se agigantando em dinossáurios
que o planeta dominam, fabulosos.

Depois, gelos brilhantes talham paisagens,
degelos velozes inundam o mundo,
humanas formas se erguem e vêem
no amor eterno a fonte da vida.

Cientes da centelha que em si carregam,
cruzam-se e em seu seio acolhem
o mínimo ponto primordial, a germinar,
desdobrando suas células, evoluindo,
até criar novo ser, novo universo,
estafeta essencial na caminhada infinda
da vida – suprema criação do amor eterno.

Ilona Bastos

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011



Infinito Criador


É pela janela que se lança o meu olhar
e com ele a minha alma
neste sedento bater de asas
pelo azul do cais de partida
e de chegada.

Não busca mais a distância, o meu olhar
que não seja a do infinito
Criador, tão longe, tão perto
tão dentro de mim?


Ilona Bastos

sábado, 24 de setembro de 2011

Heinrich Harrer


"Estávamos a 15 de Janeiro de 1946 quando iniciámos a nossa última marcha. Vindos de Tolüng, chegámos ao extenso vale de Kyichu. Ao transpor uma curva vimos, brilhando à distância, os telhados dourados do Potala, a residência de Inverno do Dalai Lama e a mais famosa referência de Lassa. Este momento compensou-nos de tudo. Sentimos vontade de nos ajoelharmos como os peregrinos e tocar o chão com a testa. Desde que partíramos de Kyirong tínhamos percorrido mais de 1000 quilómetros com  a visão desta fabulosa cidade na mente. Tínhamos caminhado durante setenta dias e descansado apenas cinco. Isso representava uma média diária de quase quinze quilómetros. Quarenta e cinco dias da nossa jornada tinham sido passados a travessar o Changthang - dias de sofrimento e de incessante luta contra o frio, a fome e o perigo. Agora, enquanto admirávamos extasiados os pináculos dourados, tudo isso estava esquecido - mais dez quilómetros e teríamos alcançado o nosso objectivo."

Heinrich Harrer, Sete Anos no Tibete, Edições Asa, Fnac de bolso

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

sábado, 2 de julho de 2011




ANDO POR LÁ!


Ando por lá!
Pela procura, pelo quase tocar da essência,
pelas ideias, pelos segredos, pelos medos,
pelos caminhos, pelos indícios, pela aparência!

Ando por lá!
Pela solidão acompanhada,
pela tristeza acarinhada,
pela revelação ansiada!

Ando por lá!
Tão próximo, em voo quase rasante,
em busca sempre incessante,
em dúvida galopante…

Ando, ando indubitavelmente por lá!


Ilona Bastos

segunda-feira, 13 de junho de 2011


Deixemos Falar os Nossos Corações


Nada do que eu digo 
É apenas isso -
É sempre muito mais. 

Tu recebes as palavras,
Misturas o tom e a cor
Dos teus pensamentos,
Referências de outros sons,
De outras imagens e momentos,
Do passado e do futuro
Que sonhas, sentimentos, 
Felicidade e sofrimento.

Por isso, o que eu digo
Não é o que tu ouves.

E te proponho:
Silenciemos. Deixemos
Falar os nossos corações.


Ilona Bastos


..

quinta-feira, 9 de junho de 2011


CAMPO DE OURIQUE
Nos passos de Fernando Pessoa


O bairro está alegre, não sei porquê.
Talvez seja da chuva, que parou.
Ou dos raios de sol, coados pelas nuvens,
inundando a manhã de uma luminosidade bela,
que desce pelos telhados, infiltra-se na folhagem
e desliza para a calçada,
onde desenha bordados brilhantes,
trabalhados na sombra.

Noto nos transeuntes um semblante animado.
Apercebo-me mesmo do seu andar saltitante,
tão pouco habitual neste bairro antigo.
Tantas e tantas vezes tenho percorrido estas ruas,
observando o cansaço nos rostos com que me cruzo!
Ou será ilusão minha, influenciada que vou
pelas histórias tristes que acabei de ouvir
e pelos conselhos difíceis que tive de dar?

Mas hoje não, não há cansaço, nem rostos sofridos –
o bairro está alegre. E não sei porquê.
É certo que a manhã me sorriu,
que me não couberam dramas, nem tragédias,
que as respostas as tive na ponta da língua
e que as notícias as pude dar animadoras!

Intrigada, pergunto-me se Fernando Pessoa,
que por estas mesmas calçadas andou,
que também aqui morou ao longo de quinze anos,
notou estes desvarios do pacato bairro
que num belo dia de Setembro resolve descobrir-se alegre,
vestir-se de luz dourada, pincelar os edifícios de magia
e brindar os seus habitantes com a graça da Felicidade.

Quando Pessoa dizia “Vou num carro eléctrico,
e estou reparando lentamente, conforme é meu costume,
em todos os pormenores das pessoas que vão adiante de mim”,
estaria a referir-se igualmente a estas mudanças bizarras,
a estas revelações inauditas, inesperadas,
em caminhos tão conhecidos, tão familiares
que suporíamos não poderem apresentar para nós
quaisquer segredos ou mistérios?

Repito os passos de Fernando Pessoa.
Dirijo-me ao Jardim da Parada.

Hoje, até a estátua da Maria da Fonte, por entre as flores,
parece ter perdido a sua rigidez de pedra
e adquirido movimento nos cabelos soltos,
flexibilidade nos gestos de mulher do povo
que reivindica a liberdade.
Acena, risonha, às crianças nos baloiços,
à senhora idosa de bela cabeleira branca,
que empurra o carrinho do neto,
à fonte, em êxtase, que lança diamantes em redor.

Que alegria desgovernada percorre o bairro!
Até me custa deixá-lo, sem saber o que fará
quando lhe virar as costas.
Explodirá em festivos destemperos?
Mas o estômago, insistente, requisita almoço urgente,
e já abandono o jardim, passo a rua das sardinheiras,
dobro à esquerda e avanço, desaguo na Maria Pia,
ainda a tempo de ver, voltando a cabeça rapidamente,
as cascatas de luz que descem pelo casario
e inundam o vale de Alcântara.


Ilona Bastos

sábado, 28 de maio de 2011



SUBTIL ACENO

Precisamente porque ninguém tenta convencer-me do seu carácter extraordinário, sinto este fenómeno da Natureza, tal como o observo nas imagens então registadas, como um sinal determinante no caminho da minha fé.

Comove-me a simultânea simplicidade e grandiosidade dos meios utilizados.
Um subtil aceno que tão profundamente me toca.