Este livro, de Maria da Fonseca, constitui um verdadeiro lenitivo para a alma, tão valioso nos atribulados dias que vivemos.
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Livro de Poesia de Maria da Fonseca
"Momentos
de Harmonia", primeiro de dois volumes subordinados ao tema “Poesia da
Natureza”, reúne textos de uma sensibilidade tocante, em que a descrição
da Natureza nas suas quatro estações surge imbuída de fé, esperança e
amor pela humanidade e toda a criação. Sendo uma poesia aparentemente
simples, nela encontramos um grande rigor métrico e vocabular, e uma
profundidade que não macula, porém, a luminosidade do estilo nem a
beleza serena das imagens.
Este livro, de Maria da Fonseca, constitui um verdadeiro lenitivo para a alma, tão valioso nos atribulados dias que vivemos.
Este livro, de Maria da Fonseca, constitui um verdadeiro lenitivo para a alma, tão valioso nos atribulados dias que vivemos.
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Poesia da Natureza
domingo, 12 de junho de 2016
Batidos de sol da tarde,
Brilham telhados vermelhos,
Salpicam, sem grande alarde,
A colina, de mil espelhos.
.
São faces ao céu erguidas,
Flores de um jardim-cidade,
Telhados, marcos de vidas,
Seres eternos, sem idade.
.
Róseos, ténues, pardacentos,
No claro-escuro da serra,
Surgem às dúzias, aos centos,
Altares nascidos da terra.
.
Seu luzir a prece soa,
Silente, forte louvor,
Que as gentes de Lisboa,
Dedicam ao Criador.
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quinta-feira, 2 de junho de 2016

No Rossio Eram Gaivotas
Consegui, finalmente, reunir os poemas escritos na Primavera e no Verão - poesia optimista, a festejar a chegada do bom tempo e do estado de espírito que consigo traz.
Não foi fácil. A verdade é que o Outono e o Inverno sempre me foram mais inspiradores. Os estados mentais de tonalidades sombrias, mais frequentes e complexos, induziam-me à introspecção. Servia, então, a escrita, como um lenitivo. Com ela desabafava tristezas, identificava causas, analisava questões, retirava conclusões.
Já a felicidade e a alegria, apesar de mais difíceis de alcançar, tornam-se simples na sua expressão escrita. Raramente me obrigo a analisar o que me causa contentamento. Prefiro abandonar-me e viver o momento, usufruir desse estado mental que sinto gratificante.
Por outro lado, é também delicado alinhar, de forma lógica e consonante, poesia escrita com muitos anos de diferença e até em estilos diversos.
Há, no entanto, um denominador comum que perpassa todos os textos e torna possível a sua convivência pacífica - aquilo que de mais perene existe em mim e que, com a evolução própria da maturidade, vou agora identificando: a sistemática procura de respostas para as dúvidas mais profundas, a busca de paz interior e de harmonia com o mundo.
No estádio actual da minha vida, em que a espiritualidade, a busca de paz e de felicidade constituem notoriamente o cerne do meu interesse, o estado mental de grande parte desta poesia é-me familiar e até revelador.
Surpreendentemente, parece-me que só agora compreendo o que então escrevi levada pela intuição ou inspiração. Como se o passar do tempo fizesse levantar o véu que cobria aqueles versos, conferindo-lhes maior nitidez.
Na verdade, nunca deixo de me espantar com o facto de as mesmas palavras e frases terem significados diferentes, a tantos níveis, podendo ser interpretadas diversamente conforme a identidade e o estado de espírito do destinatário!
A capa foi outra questão muito estudada. Tentei várias versões e submeti-as ao veredicto público (a família, a quem agradeço muito a paciência e o apoio!).
Venceu, por maioria altamente qualificada, esta capa de azulejos, a condizer com as imagens no interior do livro. Trata-se de ilustrações relativamente recentes, que sempre tive em mente passar ao papel quando tivesse oportunidade. Sabia que já havia desenhado algo semelhante na minha juventude, mas fiquei realmente surpreendida ao encontrar "azulejos" destes (exactamente assim) desenhados nas últimas páginas dos meus cadernos do liceu e da faculdade (alguns com quarenta anos!).
Enfim, interior e capa concluídos, registos feitos, posso dar esta missão como cumprida. "No Rossio Eram Gaivotas" está nos escaparates da Amazon, lançado para o Mundo.
Espero que gostem!
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
A Roseira
Cuido dela com ternura e observo-a carinhosamente.
É a minha amiga no trabalho.
Há duas semanas, depois das férias, os ramos tornaram-se pálidos, as folhas esmaeceram e muitas delas caíram.
Penso que foi por excesso de água. A senhora que a regara durante as férias continuou, possivelmente, a fazê-lo. E também eu a reguei, sem saber desta duplicação.
Foi triste ver a roseira despida, debilitada, a sua vida em suspenso.
Resolvi tratar do assunto: escoei bem o líquido em excesso e deixei a planta repousar.
Observei que alguns dos ramos estavam
já demasiado altos, e tomei uma decisão corajosa. Cortei-lhes dois
segmentos, e introduzi-os na terra (como um engenheiro agrónomo me
havia ensinado). Fui cuidadosa, mas receei ter procedido mal e
condenado ainda mais a planta, já de si a atravessar uma fase de
tão grande debilidade.
No dia seguinte, verifiquei, com satisfação, que os ramos estavam mais verdes. E poucos dias volvidos toda a roseira apresentava sinais de renascimento. Ao longo dos caules, incluindo os agora espetados na terra, de cima a baixo, começaram a rebentar folhas, naquele verde tão impregnado de vida que nos emociona.
A cada nova manhã me encanto com a riqueza e exuberância desta pequena roseira plantada no vaso que se encontra em cima da minha secretária.
Olhá-la, leva-me a dar graças a Deus, a louvá-lo e agradecer-lhe o milagre da vida. E compreendo finalmente: se Deus cuida dos lírios do campo, se Deus está com esta pequena e frágil planta, como não estará connosco? Como não cuidará de nós? Só se não o permitirmos, evidentemente. Se não lhe abrirmos o nosso coração e o nosso ser.
Detenho a minha atenção nos dois ramos cortados da planta doente e plantados directamente na terra. Já apresentam muitas folhinhas novas – eles, que pareciam dois pauzinhos sem futuro.
Tal como os outros, revelam, a intervalos
regulares, pequenos brotos verdes, prometedores de novas folhas e
flores.
Não estão o roubar a terra aos
outros, estes novos ramos, pois que o vaso não estava todo ocupado,
e apresentava até algumas zonas a descoberto.
Mesmo com os dois
ramos recém instalados, continua a haver espaço para mais, se for
necessário.
A roseira apresenta-se agora mais
sadia do que nunca.
Meu Deus! Que prazer é vê-la agora! Emociona-me e, na verdade, dá-me que pensar.
Meu Deus! Que prazer é vê-la agora! Emociona-me e, na verdade, dá-me que pensar.
Ilona Bastos
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quinta-feira, 15 de maio de 2014
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sexta-feira, 9 de maio de 2014
Dueto das Flores
da ópera Lakmé, de Léo Delibes,
com a soprano Anna Netrebko e a
mezzo-soprano Elina Garanca.
Maravilhoso!
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Consegues ouvir?
Shiuuu... escuta...
Deixa-me ouvir o grasnar dos patos no
jardim,
o tocar da folha seca, caída da
árvore, a pousar na laje,
o murmurar das águas que brotam das
fontes, risonhas,
o cantar dos pássaros, a namorar,
através dos ramos,
o vozear das crianças, no relvado,
o som diluído e vago da cidade, que
ora soa a mar distante,
ora guincha, alerta, no buzinar do
trânsito,
ora ruge, como leão, na passagem de um
avião...
Shiuuu... escuta...
Consegues ouvir, também?
Ilona Bastos
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
AMIZADE
Uma semente
que ensaia a vida
através da verdura.
Mais tarde, um botão
Mais tarde, um botão
que as folhas acolhem
com leve doçura.
E a flor que se ergue,
sorrindo ao sol,
brilhando ao luar.
Tal é a Amizade,
que nasce, que cresce,
que a vida engrandece,
E só ao coração
compete guardar.
com leve doçura.
E a flor que se ergue,
sorrindo ao sol,
brilhando ao luar.
Tal é a Amizade,
que nasce, que cresce,
que a vida engrandece,
E só ao coração
compete guardar.
Ilona Bastos
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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
O Presente e o Futuro
Era jovem. Entrou em passo rápido, semblante sisudo, olhar no chão.
Do seu aspecto, tudo diziam as faces cavadas e pálidas, o cabelo à escovinha, a argola na orelha, a camisola larga de capuz caído.
Era jovem. Entrou em passo rápido, semblante sisudo, olhar no chão.
Do seu aspecto, tudo diziam as faces cavadas e pálidas, o cabelo à escovinha, a argola na orelha, a camisola larga de capuz caído.
Sentou-se
e pareceu-me então que tremia. O seu discurso era hesitante. Tinha dificuldade em explicar
o que o trazia, misturando assuntos, tecendo frases e ideias entrecortadas de pequenos soluços inaudíveis mas perceptíveis.
Pegámos
na ponta da meada, separámos águas, as ideias tornaram-se mais claras, conversámos muito e às tantas
confessava: eu falo pouco, não consigo falar.
E
disse-lhe: mas agora está a falar, estamos a falar tão bem. É bom
termos quem nos oiça, e sentirmos que alguém está a seguir,
connosco, o nosso percurso. Assim, quando temos menos ânimo –
porque todos temos dias de menos ânimo –, há alguém que nos
chama e nos volta a colocar no caminho certo.
Lemos,
em conjunto, algumas frases difíceis de um documento sério.
Recordei-lhe que no ler e no escrever, como no futebol ou em qualquer
outra coisa, o que era importante era a prática, e ele concordou.
Preenchemos
depois um impresso e falámos de como teria de instruí-lo e onde entregá-lo. Até dava jeito, o local, que já lá tinha uma visita
programada para o dia 10.
Quando
levantei a cabeça vi que levava os dedos à cara para limpar as
lágrimas, pequenas, límpidas, lineares, que lhe desciam dos olhos
de um espantoso e transparente azul.
Não
se sentiu incomodado com o meu olhar, como não senti incómodo com
as suas lágrimas.
Falou-me
da vida que levara, dos erros que cometera. Tudo
passado.
O
que importava agora era encontrar um emprego e o amor dos filhos.
Concordei,
sorrindo: o importante, em cada momento, é o presente e o futuro!
Ilona Bastos
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