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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fotografia de Ilona Bastos



Sebastião da Gama

"Para ser professor, também é preciso ter as mãos purificadas. A toda a hora temos de tocar em flores. A toda a hora a Poesia nos visita.
"O aluno acredita em nós e não deve acreditar em vão. Impõe-se-nos que mereçamos, com a nossa, a pureza dos nossos alunos; que a nossa alimente a deles, a mantenha.
"Sejamos a lição em pessoa - que é isso mais importante e mais eficaz que sermos o papel onde a lição está escrita; e possamos dizer, sem constrangimento: «Deixai-as vir a mim, as criancinhas...»"

Sebastião da Gama, Diário, Edições
Ática, Lisboa, pág. 137

segunda-feira, 22 de março de 2010


Tadeusz Turakiewicz.
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"Que padre que ele foi! Não houve outro como ele! O que viam nele de extraordinário aquelas pessoas simples? O que tinha de especial? Oração, humildade e pobreza. Levantava-se de manhã, caminhava lentamente pela vereda rumo a Wiatrowice ou andava com um livro à volta da igreja, a rezar. E a pobreza? Quando fazia visitas pastorais às casas dos fiéis, entregava aos pobres o que recebia dos ricos. Voltava à casa paroquial de mãos a abanar. Visitava constantemente os pobres. Havia uma mulher a quem chamavam Tadeuszka, que era de Kleczany. Uma vez, foi ter com ele para se queixar, porque tinha sido roubada. E ele deu-lhe tudo o que tinha. Inclusive a almofada e a roupa de cama. As pessoas até ficaram zangadas: tinham acabado de comprar tudo aquilo para ele, porque dormia numa cama sem nada... E humildade? sabia falar com qualquer um, apesar de já ter terminado o curso em Roma."
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Tadeusz Turakiewicz, Recordações de João Paulo II, Compilação e redacção de Janusz Poniewierski, Concepção e colaboração de Jan Turnau, Lucerna

sábado, 29 de agosto de 2009

Plutarco
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"(...) Antístenes dizia justamente que, para nos protegermos, precisávamos de amigos sinceros e de inimigos convictos: os primeiros afastar-nos-ão do mal graças aos seus conselhos, os segundos graças às suas críticas."
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Plutarco, Como Tirar Partido dos Seus Inimigos seguido de Como Distinuir um Bajulador de um Amigo, livros de bolso, Europa-América, Grandes Obras
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

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Henry David Thoreau
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"Mais do que amor, do que o dinheiro e do que a fama, dai-me verdade. Sentei-me a uma mesa e havia comida fina e vinhos em abundância e atendimento impecável, mas faltava sinceridade e verdade. Virei costas, faminto, e saí de tal ambiente inóspito. A hospitalidade era tão fria como o gelo. Pareceu-me que não havia necessidade de gelo para a congelar. Falaram-me da idade do vinho e da fama do ano da colheita, mas eu pensava num vinho mais velho, mais novo e mais puro, de um ano de colheita mais glorioso, que eles não tinham e nem sequer podiam comprar. O estilo, a casa e terrenos e o «entretenimento» nada representam para mim. Visitei o rei, mas ele deixou-me à espera no seu vestíbulo e comportou-se como um homem incapacitado para a hospitalidade. Havia um homem na minha vizinhança que morava numa árvore oca. Os seus modos eram verdadeiramente régios. Teria feito muito melhor se o visitasse a ele."
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Henry David Thoreau, Onde Vivi e Para Que Vivi, edições quasi
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Oliver Sacks

"Pode a mais breve exposição à música clássica estimular ou promover as capacidades matemáticas, verbais e visuo-espaciais em crianças? No início da década de 90, Frances Rauscher e os seus colegas da Universidade da Califórnia em Irvine criaram uma série de estudos para ver se ouvir música poderia modificar os poderes cognitivos. Publicaram vários estudos fundamentados, nos quais explicavam que ouvir Mozart (em comparação com ouvir música "relaxante" ou o silêncio) intensificava temporariamente o raciocínio espacial abstracto. O efeito Mozart, como foi denominado, não só estimulava a controvérsia científica, mas causava uma intensa atracção jornalística e, inevitavelmente, reivindicações exageradas que para modo nenhum eram sugeridas nos modestos relatórios originais dos investigadores. A validade de tal efeito Mozart tem sido contestada por Schellenberg e outros, mas o que está acima de qualquer disputa é o efeito de treino musical intensivo e precoce sobre o moldável cérebro jovem. Utilizando a magnetoencefalografia para analisar potenciais auditivos evocados no cérebro, Takako Fugioka e as suas colegas têm vindo a registar mudanças notáveis no hemisfério esquerdo de crianças que fizeram um único ano de formação em violino, em comparação com crianças sem qualquer formação.

"A implicação de tudo isto para a educação básica é clara. Apesar de uma colher de chá de Mozart provavelmente não poder tornar uma criança melhor a matemática, há poucas dúvidas de que a exposição regular à música e especialmente a participação activa na música podem estimular o desenvolvimento de várias áreas diferentes do cérebro - áreas que têm de trabalhar em conjunto para se ouvir ou tocar música. Para a maior parte dos estudantes, a música pode ser tão importante em termos educativos como a leitura ou a escrita."

Oliver Sacks, Musicofilia, pág.104, Antropos, Relógio d'Água