
Já em criança o fazia: colhia flores, apanhava pedrinhas, folhas, conchinhas, e trazia-as para casa.
Acabavam, depois, por secar entre as folhas de um livro, perder-se ou ir parar ao cesto dos papéis, essas jóias tão acarinhadas.
Agora não! Encontrei um cofre, que é este blog. Aqui coloco as folhas e as flores que trouxe da rua. Aqui os guardo, expondo-os aos olhos do mundo, os vídeos que me comoveram, as músicas que me deliciaram, os excertos de livros que se me tornaram inesquecíveis.
Eis, portanto, as minhas jóias - o meu cofre!
Encanta-me, claro, a folha amarelecida presa na orelha do cocker spaniel que me olha, inocente, sério, tão embrenhado no seu papel de cão felpudo e focinhudo, de longas orelhas e pêlo dourado!
O seu olhar… e o seu olhar… tão ponderado e prudente.
O que era aquele olhar?
Perguntou-me: “É para nós?”
Acenei que sim e estendi os braços.
Deu a volta ao balcão e recebeu os sacos.
Vigiei-lhe o olhar, que pareceu tornar-se mais vivo e brilhante. Agradeceu.
Não sei que lhe disse então (sempre vigilante ao seu olhar).
O que era aquele olhar?
Seria o de quem, em segredo, pactua ainda com demónios, perpetuando-lhes o apetite devorador?
“Seja como for”, pensei, “Sempre ajudei alguém.”
Mas o segredo daquele olhar perseguiu-me pela manhã.
Penso, agora, naquele olhar, com esperança.
Que dizer, que fazer, que pensar, do teu olhar brilhante, transbordante de riso?
1 comentário:
Belo registo poético, o da tua escrita! Obrigada pela visita. **
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