segunda-feira, 13 de outubro de 2008


É preciso que os pensamentos voem pelo meu cérebro, para que tente capturá-los, registá-los como numa película fotográfica, e depois reproduzi-los, escrevendo, sobre o papel.
Mas a escrita será então como um desenho à vista (titubeante, indeciso, ansioso, cheio de boa vontade, contudo, imperfeito).
Como lograr reproduzir o voo magnífico da gaivota? Algum retrato, por melhor que seja, atinge a monumentalidade das suas asas abertas, brancas, brilhantes ao sol da tarde, planando sobre o mar, volteando sobre a terra, numa tridimensionalidade palpável que nos arrebata?
Pois bem, também me sinto incapaz de verbalizar esses vislumbres do conhecimento, da verdade, que por vezes me ocorrem, mas logo se evolam, deixando-me deslumbrada, mas incompleta.
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Ilona Bastos
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Ravel's Bolero by the orchestra directed by Andre Rieu. Video by consejomunicipal

2 comentários:

Menina_marota disse...

Que coincidência! Ainda hoje estive a ouvir este vídeo no Youtube.

Um texto cheio de significados que gostei de ler.

Muito grata por esta leitura.

Ilona Bastos disse...

Obrigadíssima pela visita! É realmente uma coincidência engraçada. E a piada é que não andava à procura do Bolero de Ravel, nem de André Rieu - simplesmente caíram-me nos braços e, como seria inevitável, seduziram-me...
Um abraço.